O telefone tocou. Tua voz engraçadinha soou do outro lado da linha. Que saudade eu senti. “Meu amor”, você dizia o tempo todo, como se fosse só pra não esquecer que eu era, e eu sou, o seu amor.. O sol já era forte, mas agora o dia parecia ainda mais quente e brilhante. Te ouvi contar então, dessas coisas que parecem ficar ai dentro de você, querendo entrar em algum ouvido, mas que por algum motivo, não entram. Não entravam antes de eu aparecer. Eu não sabia que a falta que eu senti a vida inteira sem saber de quem era, era sua. Foram anos, e só agora eu sei. Eles ardiam aqui sem você. Bem dentro do coração que agora era calmo. Porque você o acalmava, com uma risada ou um gemidinho sem graça quando eu dizia que você é lindo. Você é, sabia? Não demorei muito tempo para perceber isso.
Não conversamos tanto quanto eu queria. Haviam muitas outras coisas que fiquei pra te contar. Enquanto você queria saber tudo, me atentei a te deixar um pouco curioso em relação a algumas coisas. Era engraçado imaginar como seu rosto ficava quando eu não completava uma frase. Ou seu sorriso quando eu me calava porque não sabia mais o que dizer ou como te explicar qualquer coisa. Ou o que você pensava quando eu não contava exatamente o que você queria saber.
Você quase sempre diz que está preocupado. Me preocupo quando você diz isso. Logico, eu sei o que se passa ai dentro da sua cabeça. Se passa aqui dentro da minha também. E isso me dá medo porque você tem medo junto comigo. Mas gosto de sempre deixar no ar que não vou desistir de você.. Você ri, como quem quer acreditar mesmo que eu não vá. Ri porque gosta de pensar que talvez a gente consiga ter a vida que a gente, as vezes sem querer, monta ao lado do outro para sempre.. Ficamos calados não sei por quantos segundos, até que você pensasse em alguma outra coisa pequena e qualquer para dizer. Fiquei feliz porque você também não queria desligar aquele telefone. Tinha sim um monte de coisas para a gente fazer além daquilo, e um monte de coisas que ontem a gente tinha deixado pra hoje, mas a gente queria a gente. A gente queria essa falta de noção de tempo que um dava ao outro. A risadinha tímida de um quando o outro tem vontade de dizer “eu te amo”. As histórias que a gente conta, as brincadeiras que só a gente sabe como fazer. Quando brigo com você e você imita um cachorrinho chorando. Amo você quando não aguento mais de tanta vontade de te abraçar.. A gente não tem certeza de nada do que vem acontecendo, e nem do que pode vir a acontecer, mas a gente se gosta e se encontra, se reorganiza e se transborda juntos e nada mais importa. De repente um dos dois faz força pra dizer que precisa ir. Ainda tem muita paz dentro de mim, mas já dá saudade só de pensar em se separar, mesmo que já estejamos separados mais do que deveríamos e uma ligação não devesse ter assim tanto peso. Mas a gente carrega um ao outro no coração. Carrega o coração do outro, dentro do próprio coração. E quando a linha fica muda, o mundo faz barulho de novo, e a saudade já grita urgente bem do lado esquerdo do meu peito. O sol ainda brilhava com a mesma intensidade, e tinha o mesmo calor de antes, mas a sensação agora era de 50º, porque era claro aqui dentro também. E era impossível esconder o sorriso que meus lábios desenhavam e que iluminava meu rosto, na mesma proporção que meu coração também sorria e se acendia. De um jeito que era tão forte, que nem sombra fazia: você me deu um bom dia. O melhor deles porque você estava lá, dentro dele.
Fri, 14th Sep — 0 notes










